quarta-feira, 20 de maio de 2015

EXISTIR e envelhecer EM AMBIENTES SAUDÁVEIS - Cultura de paz

Em 2000 o Movimento Tortura Nunca Mais realizou, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, dois cursos na área de Cidadania e Direitos Humanos, dando ênfase aos conteúdos voltados para construção de uma cultura de paz. Os resultados desses trabalhos foram sistematizados e agora compõem essa cartilha “Construindo uma Cultura de Paz”, que traz algumas experiências de oficinas pedagógicas nesta área (TAVARES, 2001).

A Cultura de Paz se insere em um marco de respeito aos direitos humanos e constitui terreno fértil para que se possam assegurar os valores fundamentais da vida democrática, como a igualdade e a justiça social. Essa evolução exige a participação de cada um de nós para dar aos jovens e às gerações futuras valores que os ajudem a forjar um mundo mais digno e harmonioso, um mundo de justiça, solidariedade, liberdade e prosperidade (MARLOVA, 2002).

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU): ‘’Cultura de Paz é um conjunto de valores, atitudes, modos de comportamento e de vida que rejeitam a violência, e que apostam no diálogo e na negociação para prevenir e solucionar conflitos, agindo sobre suas causas’’.

Entendemos como cultura de paz a consciência permanente de valores da não violência social. A cultura da paz vai mais longe do que construir a paz. Cultura da paz não é simplesmente ausência de guerra. É diferente também da passividade e da resignação. A cultura da paz não elimina oposições ou conflitos, mas pressupõe a resolução pacífica dos conflitos. E resolver os conflitos sociais de forma pacífica é uma mudança radical nos paradigmas que dão sustentação ao atual modelo civilizatório (FARIA, 2002).

De acordo com David Adams, um dos ícones da Cultura de Paz no mundo, tem como base 8 pilares: educação para uma cultura de paz, tolerância e solidariedade, participação democrática, livre fluxo de informações, desarmamento, direitos humanos, desenvolvimento sustentável e igualdade entre gêneros.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) as medidas para promover uma Cultura de Paz são:

Por meio da educação:

  1. Revitalizar as atividades nacionais e a cooperação internacional destinada a promover os objetivos da educação para todos, com vistas a alcançar o desenvolvimento humano, social e econômico, e promover uma Cultura de Paz;
  2. Interessar-se para que as crianças, desde a primeira infância, recebam formação sobre valores, atitudes, comportamentos e estilos de vida que lhes permitam resolver conflitos por meios pacíficos e com espírito de respeito pela dignidade humana e de tolerância e não discriminação;
  3. Preparar as crianças para participar de atividades que lhes indiquem os valores e os objetivos de uma Cultura de Paz;
  4. Interessar-se para que haja igualdade de acesso às mulheres, especialmente as meninas, à educação;
  5. Promover a revisão dos planos de estudo, inclusive dos livros didáticos, levando em conta a Declaração e o Plano de Ação Integrado sobre a Educação para a Paz, os Direitos Humanos e a Democracia3 de 1995, para o qual a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura prestaria cooperação técnica, se solicitada;
  6. Promover e reforçar as atividades dos agentes destacados na Declaração, em particular a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, destinadas a desenvolver valores e aptidões que beneficiem uma Cultura de Paz, inclusive a educação e a capacitação na promoção do diálogo e do consenso;
  7. Estimular as atividades em curso das entidades ligadas ao sistema das Nações Unidas a capacitar e educar, quando for o caso, nas esferas da prevenção dos conflitos e gestão de crises, resolução pacífica das controvérsias e na consolidação da paz após os conflitos;
  8. Ampliar as iniciativas em prol de uma Cultura de Paz empreendidas por instituições de ensino superior de diversas partes do mundo, inclusive a Universidade das Nações Unidas, a Universidade para a Paz e o projeto relativo ao Programa de universidades gêmeas e de Cátedras da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

Para promover o desenvolvimento econômico e social sustentável:

  1. Tomar medidas amplas baseadas em estratégias adequadas e objetivos acordados, a fim de erradicar a pobreza, mediante atividades nacionais e internacionais, incluindo a cooperação internacional;
  2. Fortalecer a capacidade nacional para aplicar políticas e programas destinados a reduzir as desigualdades econômicas e sociais dentro das nações, por meio, entre outras coisas, da cooperação internacional;
  3. Promover soluções efetivas, equitativas, duradouras e orientadas ao desenvolvimento para os problemas da dívida externa e serviço da dívida dos países em desenvolvimento, por meio, entre outras coisas, da diminuição da carga da dívida;
  4. Fortalecer as medidas adotadas, em todos os níveis, para aplicar estratégias nacionais em prol da segurança alimentar sustentável, inclusive com a elaboração de medidas para mobilizar e aproveitar ao máximo a destinação e utilização de recursos obtidos de todas as fontes, incluindo-se os obtidos com a cooperação internacional, como os recursos procedentes da diminuição da carga da dívida;
  5. Adotar mais medidas que zelem para que o processo de desenvolvimento seja participativo, e para que os projetos de desenvolvimento contem com a plena participação de todos;
  6. Incluir uma perspectiva de gênero e o fomento da autonomia de mulheres e meninas como parte integrante do processo de desenvolvimento;
  7. Incluir nas estratégias de desenvolvimento medidas especiais em que sejam atendidas as necessidades de mulheres e crianças, bem como de grupos com necessidades especiais;
  8. Através da assistência ao desenvolvimento após os conflitos, fortalecer os processos de reabilitação, reintegração e reconciliação de todos os envolvidos no conflito;
  9. Incluir medidas de criação de capacidade nas estratégias de desenvolvimento dedicadas à sustentabilidade do meio-ambiente, incluídas a conservação e regeneração da base de recursos naturais;
  10. Eliminar obstáculos que impeçam a realização do direito à livre determinação dos povos, em particular dos povos subjugados pela dominação colonial ou outras formas de dominação ou ocupação estrangeira, que afetam negativamente seu desenvolvimento social e econômico.

Para promover o respeito a todos os direitos humanos:

  1. Aplicar integralmente a Declaração e Programa de Ação de Viena;
  2. Estimular a formulação de planos de ação nacionais para promover e proteger todos os direitos humanos;
  3. Fortalecer as instituições e capacidades nacionais na esfera dos direitos humanos, inclusive por meio das instituições nacionais de direitos humanos;
  4. Realizar e aplicar o direito ao desenvolvimento estabelecido na Declaração sobre o direito ao desenvolvimento e a Declaração e Programa de Ação de Viena;
  5. Alcançar os objetivos da Década das Nações Unidas para a educação na esfera dos direitos humanos, 1995-2004;
  6. Difundir e promover a Declaração Universal dos Direitos Humanos em todos os níveis;
  7. Dar apoio mais significativo às atividades que o Alto Comissionado das Nações Unidas para os Direitos Humanos realiza no desempenho de seu mandato, estabelecido na resolução 48/141 da Assembleia Geral, de 20 de dezembro de 1993, bem como as responsabilidades estabelecidas em resoluções e decisões subsequentes.

Para garantir a igualdade entre mulheres e homens:

  1. Integrar a perspectiva de gênero na aplicação de todos os instrumentos internacionais pertinentes;
  2. Intensificar a aplicação dos instrumentos internacionais em que se promove a igualdade entre mulheres e homens;
  3. Aplicar a Plataforma de Ação de Beijing, aprovada na Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher, com os recursos e a vontade política que sejam necessários e através, entre outras coisas, da elaboração, aplicação e consecução dos planos de ação nacionais;
  4. Promover a igualdade entre mulheres e homens na adoção de decisões econômicas, sociais e políticas;
  5. Prosseguir no fortalecimento das atividades das entidades vinculadas ao sistema das Nações Unidas destinadas a eliminar todas as formas de discriminação e violência contra a mulher;
  6. Prestar apoio e assistência às mulheres que tenham sido vítimas de qualquer forma de violência, inclusive doméstica, no local de trabalho e durante conflitos armados.
Para promover a participação democrática:
  1. Consolidar todas as atividades destinadas a promover princípios e práticas democráticos;
  2. Ter especial empenho nos princípios e práticas democráticos em todos os níveis de ensino escolar, extracurricular e não escolar;
  3. Estabelecer e fortalecer instituições e processos nacionais em que se promova e se apoie a democracia por meio, entre outras coisas, da formação de funcionários públicos e a criação de capacitação nesse setor;
  4. Fortalecer a participação democrática por meio, entre outras coisas, da prestação de assistência a processos eleitorais, a pedido dos Estados interessados e em conformidade com as diretrizes pertinentes às Nações Unidas;
  5. Lutar contra o terrorismo, o crime organizado, a corrupção, bem como contra a produção, tráfico e consumo de drogas ilícitas e lavagem de dinheiro, por conta de sua capacidade de minar/solapar a democracia e impedir o pleno desenvolvimento de uma Cultura de Paz.

Para promover a compreensão, a tolerância e a solidariedade:
  1. Aplicar a Declaração de Princípios sobre a Tolerância e o Plano de Ação de Consecução do Ano das Nações Unidas para a Tolerância (1995);
  2. Apoiar as atividades que se realizem no contexto do Ano das Nações Unidas para o Diálogo entre Civilizações, que se celebrará em 2001;
  3. Aprofundar os estudos das práticas e tradições locais ou autóctones de solução de controvérsias e promoção da tolerância, com o objetivo de aprender a partir delas;
  4. Apoiar as medidas em que se promovam a compreensão, a tolerância e a solidariedade em toda a sociedade, em particular com os grupos vulneráveis;
  5. Continuar apoiando a obtenção dos objetivos da Década Internacional das Populações Indígenas do Mundo;
  6. Apoiar as medidas em que se promovam a tolerância e a solidariedade com os refugiados e as populações deslocadas, levando em conta o objetivo de facilitar seu regresso voluntário e sua integração social;
  7. Apoiar as medidas em que se promovam a tolerância e a solidariedade com os migrantes;
  8. Promover uma maior compreensão, tolerância e cooperação entre todos os povos, por meio, entre outras coisas, da utilização adequada de novas tecnologias e difusão de informação;
  9. Apoiar as medidas em que se promovam a compreensão, a tolerância, a solidariedade e a cooperação entre os povos, entre as nações e dentro delas.

Para apoiar a comunicação participativa e a livre circulação de informação e conhecimento:
  1. Apoiar a importante função que os meios de comunicação desempenham na promoção de uma Cultura de Paz;
  2. Zelar pela liberdade de imprensa, liberdade de informação e de comunicação;
  3. Fazer uso eficaz dos meios de comunicação na promoção e difusão da informação
  1. Sobre uma Cultura de Paz, contando com a participação, conforme o caso, das
  2. Nações Unidas e dos mecanismos regionais, nacionais e locais pertinentes;
  3. Promover a comunicação social a fim de que as comunidades possam expressar suas necessidades e participar na tomada de decisões;
  4. Adotar medidas acerca do problema da violência nos meios de informação, inclusive as novas tecnologias de comunicação, entre outras, a Internet;
  5. Incrementar as medidas destinadas a promover o intercâmbio de informação sobre as novas tecnologias da informação, inclusive a Internet.

Para promover a paz e a segurança internacionais:
  1. Promover o desarmamento geral e completo sob estrito e efetivo controle internacional, levando em conta as prioridades estabelecidas pelas Nações Unidas na esfera do desarmamento;
  2. Inspirar-se, quando procedentes, nas experiências favoráveis a uma Cultura de Paz obtida de atividades de “conversão militar”, realizadas em alguns países do mundo;
  3. Destacar como inadmissível a anexação de territórios mediante a guerra, e a necessidade de trabalhar em prol de uma paz justa e duradoura em todas as partes do mundo;
  4. Estimular a adoção de medidas de fomento da confiança e atividades para a negociação de resoluções pacíficas de conflitos;
  5. Tomar medidas para eliminar a produção e o tráfico ilícito de armas pequenas e leves;
  6. Apoiar atividades, nos níveis nacional, regional e internacional, destinadas à solução de problemas concretos que surjam após os conflitos, como a desmobilização e a reintegração de ex-combatentes à sociedade, bem como de refugiados e populações deslocadas, a execução de programas de recolhimento de armas, o intercâmbio de informação e o fomento da confiança;
  7. Desestimular e abster-se de adotar qualquer medida unilateral que não esteja em consonância com o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, e dificulte a obtenção plena de desenvolvimento econômico e social da população dos países afetados, em particular mulheres e crianças, que impeçam seu bem-estar, criem obstáculos para o gozo pleno de seus direitos humanos incluídos o direito de todos a um nível de vida adequado para sua saúde e bem-estar e o direito a alimentos, a assistência médica e serviços sociais necessários, ao mesmo tempo em que se reafirma que os alimentos e medicamentos não devem ser utilizados como instrumento de pressão política;
  8. Abster-se de adotar medidas de coação militar, política, econômica ou de qualquer outra natureza, que não estejam em consonância com o direito internacional e a Carta, e cujo objetivo seja atentar contra a independência política ou a integridade territorial dos Estados;
  9. Recomendar que se dê atenção adequada à questão das repercussões humanitárias das sanções, em particular para as mulheres e crianças, com vistas a reduzir ao mínimo as consequências humanitárias das sanções;
  10. Promover uma maior participação da mulher na prevenção e solução de conflitos e, em particular, nas atividades em que se promova uma Cultura de Paz após os conflitos;
  11. Promover iniciativas de solução de conflitos, como o estabelecimento de dias de cessar fogo para a realização de campanhas de vacinação e distribuição de medicamentos, corredores de paz que permitam a entrega de provisões humanitárias e santuários de paz para respeitar o papel fundamental das instituições sanitárias e médicas, como hospitais e clínicas;
  12. Estimular a capacitação em técnicas de entendimento, prevenção e solução de conflitos, ministradas ao pessoal interessado das Nações Unidas, das organizações regionais vinculadas e dos Estados Membros, mediante solicitação, em conformidade.

Portanto, entende-se que para construir uma cultura de paz é necessário promover as transformações necessárias e indispensáveis para que a paz seja o princípio regente de todas as relações humanas e sociais. E essas transformações vão desde a dimensão dos valores, atitudes, estilos de vida até as estruturas políticas, econômicas, jurídicas e as relações políticas internacionais.

Enfim, promover a cultura de paz significa e pressupõe trabalhar de forma integrada a favor das grandes mudanças desejadas por uma imensa parte da humanidade: justiça social, igualdade entre os sexos, eliminação do racismo, tolerância religiosa, respeito às minorias, educação universal, equilíbrio ecológico e liberdade política. A cultura de paz poderia se transformar no elo que interliga e abrangem todos esses ideais num único processo de transformação.

2 COMPARTILHAMENTO E INTERAÇÃO EM REDE

Ao refletir-se o compartilhamento possibilitado pela internet, verifica-se que os profissionais de saúde integrados com os educadores, podem promover a auto-estima através de mensagens ministradas por pessoas qualificadas, seguindo diretrizes como as sugeridas por Rodrigues (2013) incluindo temas interessantes ao desenvolvimento sociocultural, proporcionando a leitura de textos diversos, abrangendo assuntos relacionados aos problemas que forem detectados, indicação de filmes, onde a persistência faz vencedores, fomentando a melhora da auto-estima, a interação, fazendo-o sentir-se útil para si e para a sociedade a qual ele pertence.

O mesmo autor menciona ainda a importância da valorização do trabalho individual como fonte de renda para o conhecimento do grupo e para o crescimento social, refletindo sobre o trabalho e a remuneração conseguida pelo fruto do mesmo, se possível incluindo apresentações dramatúrgicas facilitando o uso da experiência pessoal para o crescimento do grupo.

A educação para a cidadania pressupõe, segundo Carmo, que para ser cidadão é necessário cada um desenvolver-se como pessoa, é necessário que cada um desenvolva o seu potencial como ser humano. Mas o desenvolvimento do potencial individual é inseparável da comunidade onde o indivíduo está inserido, tem que ser colocado ao serviço do coletivo e daí a importância do desenvolvimento cultural, social e político (FERRAGE, 2012).

O desenvolvimento pessoal engloba a educação para a autonomia e para a solidariedade. Para que um indivíduo se desenvolva como pessoa tem que aprender a ser autônomo, tem que ser sujeito de um processo educativo que estimule a construção de uma personalidade.  Aprender a ser solidário faz parte da sua inserção num contexto social, onde ganha-se competências de solidariedade. O desenvolvimento social abrange a educação para a diversidade e a educação para a democracia (CARMO, 2008).
Parte da missão dos educadores é fazer com que o indivíduo reaprenda a reconhecer seus valores pessoais e seja inspirado a apreciar os valores de sua cultura, conviver com a diversidade, formular seus juízos de valores, elaborar pensamentos autônomos, críticos e que exercitem a liberdade de discernimento, sentimento e imaginação, para desenvolver seus talentos e ser protagonista de sua história (BARROS, 2009).

Os valores afetam nossa vida em todos os momentos. É a força orientadora de tudo o que fazemos e desejamos fazer. Resgatar os valores adormecidos propicia um caminho de transformação interior que por via de consequência se manifesta conscientemente em suas ações com o ressurgimento de atitudes e comportamentos inatos em substituição a antigas posturas. Os valores do ser são próprios à consciência, por isso, universais. Todos têm em si valores de forma latente, são expressos através das habilidades pessoais, atitudes e qualidades (TILLMAN; COLOMINA, 2004).

A proposta para a reflexão e prática de valores proporciona um estado mental de maior consciência e propicia que os educadores procurem as respostas em seu interior, encontrem soluções compatíveis com a realidade e desvelem o sentido de educar as novas gerações em religação com valores éticos e morais. Somos responsáveis pelos processos que vivenciamos, quando percebemos o que somos, quem somos e qual a nossa missão de vida, somos capazes de construir, conscientemente, um mundo melhor para as futuras gerações (TILLMAN; COLOMINA, 2004).

O trabalho em rede é constituído por um conjunto de atividades simultâneas que possuem características distintas e são exercidas por trabalhadores de diversas áreas, com saberes e experiências especificas. As atividades do trabalho, portanto, é submetida a uma regulação que se efetiva na cooperação entre os trabalhadores e os usuários, numa dinâmica que atravessa diferentes pontos de vistas.

Uma rede é um sistema de “nós e elos” capaz de organizar pessoas e instituições, de forma igualitária e democrática, em torno de um objetivo comum. Eis os principais fundamentos de uma rede:
- Autonomia: Cada integrante mantém sua independência em relação à rede e aos demais integrantes. Numa rede não há subordinação.
- Valores e objetivos compartilhados: O que une os diferentes membros de uma rede é o conjunto de valores e objetivos que eles estabelecem como comuns.
- Vontade: Ninguém é obrigado a entrar ou permanecer numa rede. O alicerce da rede é a vontade.
- Conectividade: Uma rede é uma costura dinâmica de muitos pontos. Só quando estão ligados uns aos outros é que indivíduos e organizações mantêm uma rede.
- Participação: A cooperação entre os integrantes de uma rede é o que a faz funcionar. Uma rede só existe quando em movimento. Sem participação, deixa de existir.
- Multiliderança: Uma rede não possui hierarquia nem chefe. A liderança provém de muitas fontes. As decisões também são compartilhadas.
- Informação: Numa rede, a informação circula livremente, emitida de pontos diversos e encaminhada de maneira não linear a uma infinidade de outros pontos, que também são emissores de informação.
- Descentralização: Uma rede não tem centro. Ou melhor, cada ponto da rede é um centro em potencial.
- Múltiplos níveis: Uma rede pode se desdobrar em múltiplos níveis ou segmentos autônomos, capazes de operar independentemente do restante da rede, de forma temporária ou permanente, conforme a demanda ou a circunstância. Sub-redes têm o mesmo "valor de rede" que a estrutura maior à qual se vinculam.
- Dinamismo: Uma rede é uma estrutura plástica, dinâmica e em movimento, que ultrapassa fronteiras físicas ou geográficas. Uma rede é multifacetada. Cada retrato da rede, tirado em momentos diferentes, revelará uma face nova.

O trabalho em rede possibilita o exercício da democracia; estimula o respeito ao outro; envolve a comunidade na definição de prioridades e tomadas de decisões; descortina novos horizontes no processo de gestão; desenvolve o senso coletivo; estimula a adoção de práticas condizentes com a gestão e deve ser democrática.

Nesse contexto, alguns aspectos importantes do trabalho em rede devem ser considerados, entre eles estão à liderança que estimula o surgimento de líderes de forma natural, a participação cria espaços onde pessoas ou grupos possam ter o direito de ouvir e serem ouvidos, as parcerias é fator preponderante para o trabalho em rede, do contrário, a rede enfraquece a trama, rompe o fio, se desfaz, a intencionalidade se faz necessária, pois do contrário não teremos objetivos claros, nem metas, nem ações, sem intencionalidade caminharemos e não chegaremos a lugar nenhum e por fim a gestão democrática que possibilita a definição de prioridades e a tomada de decisões de forma coletiva, colegiada.
Figura 1. Sub-projeto Avansus. Foto Avansus.png

https://sites.google.com/site/avansusbahia/redes

Introdução do Projeto Participação Cidadã

Os profissionais da saúde e educação, com muita propriedade, buscam incessantemente encontrar alternativas para a minimização de riscos, entre elas, a identificação de vulnerabilidades principalmente relacionadas aos adolescentes, a fim de promover sua autonomia com responsabilidade.

Assim, levando em consideração todos os fatores e questões que permeiam o processo do desenvolvimento humano, e a influência externa que crianças e adolescentes são suscetíveis nas relações interpessoais, ressalta-se a importância da execução de ações em muitos âmbitos, com o intuito de conhecer a realidade em que estes estão inseridos, para que por meio da vivência, promovam-se ações que venham repercutir beneficamente para o bem viver da população.

As demandas de educação ficam ainda mais visíveis no exercício profissional ao executar as ações sugeridas pelos programas e ações governamentais Saber saúde, de educação referente ao tabagismo, as atividades de educação e triagem de Saúde na Escola. O Matriciamento de equipes, realizados por profissionais atuantes nas redes de atenção psicossocial, refere-se a um apoio presencial sistemático que oferece suporte técnico à condução do cuidado em saúde mental através de discussões de casos capacitando para a execução do processo de trabalho, o atendimento compartilhado, as ações intersetoriais no território e contribuindo no processo de cogestão e corresponsabilização no agenciamento do projeto terapêutico singular também demanda uma grande troca de ideias à distância e o compartilhamento de informações e dados importantes.

A ideia principal de promover a educação e compartilhamento de ideias, conceitos e imagens na internet é realizar uma abordagem coletiva levando em consideração os saberes sustentados pelas histórias individuais de cada indivíduo, seja eles professores, alunos, trabalhadores, cidadãos participativos ou não, fazendo com que haja um fortalecimento na construção do pensamento crítico e no desenvolvimento de uma consciência global.
A educação fundamentada em valores humanos tem sido um dos caminhos percorridos nesse sentido e tem conduzido à prática de metodologias que produzem efeitos positivos no processo cognitivo dos temas abordados. Valores como a paz, o amor, o respeito, a compreensão, a solidariedade, a tolerância, a cooperação, etc. devem estar no cerne do processo educativo, tornando-a responsável pela “vivência ética em escala humana” que nos demanda o desenvolvimento simultâneo de nossas autonomias pessoais, nosso ser individual, nossa responsabilidade e nossa participação no gênero humano (BARROS, 2009).

Considerando ainda os princípios da propaganda, marketing, os resultados alcançados e mensurados nas redes sociais, através da disseminação com "efeito viral" de ideias, conceitos e imagens, verifica-se o quanto a tecnologia pode ser útil e como isso pode ser usado em benefício da educação e transmissão de informações.

A maior luta já travada pelos cuidadores em saúde mental, possivelmente, vem sendo contra o preconceito, o estigma relacionado ao crime de psicofobia e suas variáveis atenuadas. Nesse sentido, a contribuição das atividades do Projeto Participação Cidadã são relevantes também ao movimento da reforma psiquiátrica.

O objetivo geral deste trabalho é promover educação on-line, visando, mais especificamente, realizar a inclusão digital e interação nas redes sociais entre usuários do sistema único de saúde, profissionais de saúde, acadêmicos em geral, contribuir para o alcance dos objetivos dos Programas Saúde na Escola e HumanizaSUS, motivar pessoas que lutam contra substâncias psicoativas, simpatizantes da atenção psicossocial, incentivar o desenvolvimento de recursos humanos em saúde mental e saúde pública, promover a cidadania.

Além disso, pretende ainda, indiretamente, incentivar pessoas a elaborar ideias criativas, criando soluções para os desafios sociais, manter um espaço aberto através das publicações para o debate, troca de ideias e fomentar a manifestação do controle social. Espera-se que com o aumento dos debates e discussões, os atingidos direta ou indiretamente pelas ideias do projeto manifestem mudanças de comportamento e uma maior busca pela qualidade de vida.
Figura 1. Sub-Projeto Qualidade de Vida no Brasil.
Qualidade de vida.png

Se a situação o exigir, pretende-se até mesmo criticar ou denunciar gestores, na condição de mídia informal independente, quando houver negligência nos aspectos essenciais de governo nas áreas social, de saúde e educação.

Vídeo para mestrandos RS

Dramatização educativa com ênfase em Sinais e Sintomas.

Solicitação!

Irmãos, vocês podem conhecer nosso Projeto Social de Educação Popular em Saúde nas redes sociais e outros temas, me dar...

Posted by Pensamentos Inspiradores SUD on Quarta, 3 de junho de 2015